Lucas Cassiano (21), estudante do curso de Ciência e Tecnologia da UFRN, teve uma oportunidade incomum para um jovem de sua idade: trabalhar no conceituadíssimo Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT. Ele nos concedeu uma breve entrevista e contou que não foi um período fácil, mas que todo esforço valeu a pena. Além de ter sido uma experiência pessoal enriquecedora, sem dúvida o aprendizado profissional acrescentou muito em seu currículo.

Tudo começou por influência de um colega que o chamou para participar da seleção do programa Ciências Sem Fronteiras. Lucas conta que, inicialmente, desejava ir para o Canadá, mas perdeu o prazo da chamada e se contentou com a opção dos Estados Unidos. Hoje em dia, ele acredita que foi bem melhor assim.

O MIT também não foi sua primeira opção. O jovem foi selecionado para o estado de Wisconsin, centro-oeste dos Estados Unidos. Depois de muita burocracia, Lucas aterrissou na terra do Tio Sam e, em poucos dias, não se adaptou ao ambiente da universidade. Ele teve dificuldade de se entrosar com os estudantes americanos e sentia falta de estar em um lugar diferente. Então, de repente, teve a ideia de mandar seu currículo para a Google.

Lucas conseguiu ser chamado para uma entrevista na empresa, porém, não foi como o esperado. “A entrevista foi muito tensa. Eu sabia que não seria chamado”, conta ele. E com isso veio a frustração, mas a vontade de mudança ainda não saía de sua cabeça. Algo precisava ser feito e, infelizmente, não seria trabalhar na Google.

Em mais um dia de intercâmbio, enquanto malhava, conversou com um conhecido que sugeriu-lhe tentar o MIT. Disse que era um ambiente similar ao da Google e que Lucas teria uma liberdade criativa grandiosa por lá. O jovem, motivado, decidiu testar sua capacidade e se arriscar em mais um desafio.

Lucas teve acesso às pesquisas que estavam acontecendo até então no Instituto e, antes de tudo, resolveu procurar sobre a vida acadêmica dos professores de sua área. Depois de ler muitos artigos, ele mandou e-mail para alguns professores e os abordou usando sua própria técnica: ao invés de simplesmente mostrar interesse pela pesquisa do professor, Lucas a relacionava com seus artigos anteriormente publicados. Foram muitos e longos e-mails destinados a vários professores, mas Lucas acreditava que nenhum retornaria. Porém, o jovem estava enganado: mais de um professor se interessou e ele ainda teve o poder de escolha.

O professor que Lucas escolheu para fazer sua pesquisa se comprometeu a dar-lhe total liberdade para seus métodos e deixou todos os equipamentos e aparatos necessários à sua disposição. Esse foi o principal motivo de escolha: Lucas queria ter uma certa independência nas pesquisas. E foi aí que tudo começou. "Foi tudo na hora certa e no momento certo. Oportunidades que não existiam, de repente, surgiram", diz Lucas realizado por, finalmente, ter a possibilidade de se engajar em algo diferente.A partir de então, o jovem comenta que tudo melhorou.

Apesar de todo o aparato tecnológico, os estudantes do MIT costumam pensar ou resolver algum problema de forma simples, tentando usar o mínimo de tecnologia possível. Desta maneira, eles eram obrigados a pensar mais. Além disso, Lucas diz que era necessário ter uma boa desenvoltura para se comunicar. Eles recebiam muitos investidores e precisavam não apenas expor suas propostas, mas também despertar o que chamam de woweffect, em português, o "efeito wow", ou seja, a sensação de surpresa e entusiasmo. Lucas nos explicou que o investidor não está só interessado na sua tecnologia, mas também no seu conceito, então é extremamente necessário para os estudantes saber apresentá-lo.

Além disso, a política do MIT valoriza a iniciativa do aluno e é preciso ter uma criatividade extrema. "Todo mundo é muito competitivo, porque sabe que uma ideia ou uma reunião pode mudar sua vida", diz Lucas. O lado negativo dessa postura é a pressão psicológica. Segundo ele, o mais difícil não é trabalhar com tecnologias de primeira mundo, porque basta estudar para aprender a utilizá-las, mas o verdadeiro desafio é ter a sobriedade psicológica para aguentar a pressão.

A rotina também não era uma parte fácil: "Eu dormia em média 3 horas por dia durante 3 meses e voltei para o Brasil mal fisicamente", comenta Lucas. Na primeira semana de trabalho, numa quinta-feira, Lucas foi requisitado para fazer um protótipo, em outras palavras, uma nova criação, para ser entregue na segunda-feira. Ele nos contou que, por causa da pressão, muitas ideias vieram a sua cabeça e ele conseguiu entregar quatro, mas passou um final de semana inteiro sem dormir e à base de cafeína na sua alimentação. "Tem pressão? Tem. Mas você vê resultados e o retorno é rápido".

Apesar disso, ele diz que gostava do ritmo frenético e ressalta que sua rotina de muitas noites mal dormidas foi uma decisão própria, pois ele queria dar o seu melhor e voltar para casa com a sensação de dever cumprido.

Em relação ao trabalho, Lucas disse que também havia diversão: "Eu tive meu financiamento na Universidade para brincar com Lego e jogar MineCraft". Em poucas semanas trabalhando com Lego, ele foi convocado para reuniões importantes e conheceu os principais designers da empresa. A partir de então, ele notou seu progresso e viu que todo esforço valia a pena.

O estudante retornou ao Brasil com outra mentalidade e contou que sua experiência no exterior foi transformadora: "É muito importante você passar um tempo longe de tudo, né? Você pode se avaliar, alterar seu contexto e sair da sua zona de conforto", comenta. O que ele pôde retirar de mais importante do MIT foi o respeito do conceito do projeto e ser mais organizado quanto a isso: "Você só começa a fazer quando já tem o projeto definido do início ao fim".

O MIT, Instituto de Tecnologia de Massachusetts, localizado em Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unidos, é um dos maiores e mais reconhecidos centros privados de educação e pesquisa. "É outro mundo!", responde Lucas quando perguntamos sobre o instituto. Ele diz, ainda, que são os estudantes que fazem o diferencial: "Eles estão, pelo menos, 10 anos no futuro em relação aos recursos humanos. O que faz o MIT são as pessoas".

ComC&T

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