Recentemente o grupo de pesquisa: “Caracterização e análise de padrões da dinâmica temporal de sinais fisiológicos”, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), liderado pelo Prof. Dr. Gustavo Zampier dos Santos Lima da Escola de Ciências e Tecnologia, teve um artigo publicado pela revista interdisciplinar britânica Nature (Scientific Reports). Intitulado Hippocampal and cortical communication around micro-arousals in slow-wave sleep, o trabalho reafirma, entre outros pontos espeficos da projeto em si, como a ciência esta se reestruturando num contexto multidisciplinar para a construção e busca pelo saber.

O estudo publicado mostra, ao analisar padrões de sinais temporais do cérebro de sujeitos em sono profundo (sono de ondas lentas) através da eletroencefalografia, método eletrofisiológico não-invasivo utilizado para registrar a atividade elétrica do cérebro, a existência de um padrão na dinâmica cerebral entre as regiões do Cortex e do Hipocampo, até então desconhecido, precedendo em alguns segundos, o micro-despertar (hipocampo e córtex se comunicam durante 3 - 4 segundos). O microdespertar é tido como uma dinâmica cerebral natural e fundamental para o funcionamento neural. No início pesquisadores interpretavam o processo de micro-despertar como sendo um processo que interrompia a dinâmica do sono, se tornando  assim prejudicial ao organismo. Porém, com avanços da pesquisa sobre o sono, foi notado que o microdespertar faz parte da dinamica temporal do sono e é fundamental para o equilibrio homeostatico e o bom funcionamento cerebral de mamiferos em geral.

O trabalho tem como autores os professores: Dr. Gustavo Zampier dos Santos Lima (UFRN), Dr.Bruno Lobao-Soares (UFRN), Dr.Gilberto Corso (UFRN), Dr. Hindiael Belchior (UFRN), Dr. Sergio Roberto Lopes (UFPR), Dr. Thiago Prado (UFPR), Dr. George Nascimento (UFRN), Dr. Arthur Sergio Cavalcanti de França (Alemanha), Dr. John Fontenele de Araújo (UFPR) e  Dr. Plamen Ch. Ivanov (Harvard-EUA). Esses são pesquisadores das mais diversas áreas, como matemática, física, biofísica, biologia e neurociências.

O Prof. Dr. Gustavo Zampier afirma: “Não se faz ciência hoje isolado/ilhado. A ciência evolui de forma plural no que tange à construção de conhecimento e busca pela compreensão da natureza. A concepção do entendimento de um problema / objeto de estudo, como a neurociencias, hoje depende não somente de um modo específico (construido por uma linha ou area especifica- que ainda ocorre nos departamentos acadêmicos) de pensar o problema, mas sim da união/comunicação das mais variadas formas de compreender a natureza (objeto estudado) através das multiplas áreas do conhecimento. Com esta comunhão entre saberes, cria-se uma ambiente que fervilha ideias e conceitos sobre o tema em questão gerando uma riqueza ímpar e imprescindível de respostas ao problema, levando à construção do saber de forma mais primordial, pois conduziu o pesquisador a um sentido de consciência que não poderia / poderia detectar o “caso” em sua área de atuação ”.

Para ler o artigo na íntegra, acesse:  https://www.nature.com/articles/s41598-019-42100-5  (página em inglês).