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Escola de Ciências e Tecnologia (ECT) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte foi criada pela Resolução no 012/2008-CONSUNI, de 1º de dezembro de 2008, como uma Unidade Acadêmica Especializada. Entre os objetivos da ECT, destaca-se o de dar suporte ao desenvolvimento das atividades acadêmicas de ensino, pesquisa e extensão referidas ao Curso de Bacharelado em Ciências e Tecnologia (BCT), provendo, para tanto, as condições para a implantação na UFRN da formação acadêmico-profissional em ciclos sucessivos, em engenharias (Ambiental, Biomédica, Computação, Materiais, Mecânica, Mecatrônica, Petróleo, e Telecomunicação), cursos nas áreas de Ciências Exatas (Matemática, Física, Ciências Atuariais e Estatística), além da possibilidade de manter-se em uma formação chamada “Generalista”, onde não há a escolha de uma “ênfase” específica. Nesse sentido, a implantação integrada do BCT e da ECT culmina uma tradição da UFRN no âmbito da formação de RH nas áreas de Engenharia, e articula-se ao Programa REUNI (de reestruturação e expansão) das universidades públicas brasileiras para compor um momento especialmente dinâmico da educação superior e da pesquisa.

A ideia da formação em dois ciclos, por grandes áreas de conhecimento, não é nova. A própria UFRN exercitou modelo com essa inspiração no início da década de 1970, com a implantação de uma forma de acesso unificada por grandes áreas (por exemplo, aquela formada pelos cursos de graduação das Ciências Exatas e da Engenharia), passando o ingressante por um processo de formação indiferenciada que correspondia a um ciclo básico unificado de estudos. Ao final desse ciclo, os estudantes passavam por um processo seletivo baseado em mérito acadêmico, por meio do qual se definiam as turmas de cada um dos cursos integrantes da grande área. Esse modelo foi abandonado pela UFRN no ano de 1972.

A novidade da propositura do modelo atual é a diplomação intermediária do estudante. Dessa forma, o processo de formação do universitário em uma especialidade profissional estabelece desde o início a ideia de flexibilidade. O ingressante, ao fim do primeiro ciclo de estudos, recebe o diploma de Bacharel em Ciências e Tecnologia, de caráter generalista, além de permitir que ele, por opção própria, resolva continuar seus estudos – agora em um segundo ciclo formativo – direcionado a uma especialidade. Essa proposta se baseia no conceito de graus cumulativos, introduzido de forma decisiva no debate em torno da Universidade do século XXI pelo Processo de Bolonha. No Brasil, essa proposta vem sendo executada, pioneiramente, pela Universidade Federal do ABC, em São Paulo, desde 2005. É importante salientar que o modelo prevê um diploma de primeiro ciclo com relevância para o ingresso do bacharel no mercado de trabalho.

Foi para executar essa missão específica que nasceu a Escola de Ciência & Tecnologia da UFRN. Missão complexa, cujo exercício servirá também para concretizar objetivos, tais como a redução de evasão, de retenção e de tempo médio de formação nos cursos de Engenharia. Para isso, a ECT elaborou para o Curso de Ciências e Tecnologia um projeto pedagógico inovador, especialmente no que concerne (a) ao acompanhamento e apoio ao estudante, com intensa presença de tutorias e orientações; (b) ao uso de novas tecnologias de ensino-aprendizagem, (c) ao fomento à participação do estudante em pesquisa e extensão; (d) à ênfase na formação interdisciplinar, integrando as dimensões humanística, ambiental, cidadã e empreendedora ao processo formativo, ao lado de uma base sólida em Matemática, Física, Informática, entre outras disciplinas.

Não seria possível ter êxito em um empreendimento dessa natureza e porte, sem fundar-se em um modelo institucional novo, cuja estrutura traduza e materialize a dinâmica da formação perseguida. Assim, a ECT surgiu também com a pretensão de ser uma Unidade Acadêmica em que as atividades de pesquisa e extensão fossem trabalhadas de forma interdisciplinar e articuladas definitivamente às atividades de ensino, constituindo-se em um ambiente de trabalho acadêmico marcado pelo desafio de fundamentar-se em uma plataforma de desenvolvimento humanístico, cultural e social de toda a sua comunidade e de cada um de seus membros.