Com a missão de proporcionar uma conscientização da comunidade acadêmica, sobre a importância da inclusão educacional para promover uma maior inclusão social e profissional, a Comissão Permanente de Apoio a Estudantes com Necessidades Educacionais Especiais (Caene) promoveu, dia 26 de Agosto, a palestra “Inclusão no ensino superior: AUTISMO”, na Escola de Ciências e Tecnologia (ECT), apresentada pela pedagoga Eliana Araújo.
Durante a palestra, a pedagoga destacou que o número de estudantes, com necessidades educacionais especiais, matriculados em instituições de ensino, tem aumentado gradualmente com forte influência de documentos internacionais, dispositivos legais e iniciativas governamentais como a Conferência Mundial de Educação para Todos de Jomtiem em 1990, a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais realizada em Salamanca no ano de  1994, Lei nº 12.764/12, institui a "Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista" e as Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtorno do Espectro do autismo do Ministério da saúde.
Segundo dados do MEC, a quantidade de matrículas de pessoas com deficiência na educação superior aumentou 933,6% entre 2000 e 2010.  O número de estudantes com deficiência passou de 2.173 em 2000 para 20.287 em 2010 — 6.884 na rede pública e 13.403 na particular. O número de instituições de educação superior que atendem alunos com deficiência passou de 1.180 no fim do século passado para 2.378 em 2010. Destas, 1.948 contam com estrutura de acessibilidade para os estudantes.
A pedagoga falou sobre as dificuldades de aprendizado mais comuns e apresentou algumas sugestões para a melhoria do processo de aprendizagem:

Dificuldades

Sugestões

Acadêmicas: Usualmente tem inteligência média ou acima da média, mas faltam pensamentos de alto nível e habilidades de compreensão. Seu impressionante vocabulário dá a falsa ideia de que entendem daquilo que estão falando.

Oferecer explicação adicional e tentar simplificar quando os conceitos são demasiadamente abstratos;

Interações sociais: São inábeis em entender regras complexas de interação social; parecem ingênuos, podem não gostar de contatos físicos, dificuldade em manter contato visual, não entendem brincadeiras, ironias ou metáforas, pouca habilidade para iniciar e manter conversações, comunicação pobre.

Observar o estudante e intervir se estiver sendo importunado; intermediar situações cooperativas com o grupo, aumentando desta forma sua aceitação; incentivar o envolvimento com os pares e encorajar atividades sociais.

 

Interesse restrito: Tendem a “leitura” implacável nas áreas de interesse e perguntam insistentemente sobre os mesmos; dificuldade para ir avante nas ideias; seguem suas próprias inclinações; às vezes recusam-se a aprender qualquer coisa fora de seu campo de interesse.

 

 

Ser objetivo na orientação de trabalhos escritos ou orais até que consiga completar a tarefa,  usar dos interesses individuais para ampliar seu repertório de envolvimento com os conteúdos estudados.

Fraca concentração: Frequentemente desligados e distraídos por estímulos externos; são meio desorganizados e tem dificuldade para sustentar o foco nas atividades de sala de Aula; Perdem materiais e compromisso escolar.

 

Permitir a realização de trabalhos em tempo diferenciado, respeitando-se algumas regras (ex: prorrogar apenas uma vez a entrega de um trabalho ou prova), sinalizar discreta e gentilmente quando perceber que o estudante está desatento;

 

Vulnerabilidade emocional: Apesar de inteligentes, são inábeis para enfrentar as exigências de uma sala de aula. São frequentemente estressados devido a sua vulnerabilidade. Frequentemente são autocríticos e não toleram erros. Reações de raiva são comuns em situações de frustração e stress.

 

Auxiliar no enfrentamento do stress dando exemplos de como pode resolver situações problema; ser calmo e previsível a maior parte do tempo em que estiver com um estudante.

 

Insistências com semelhanças e padrões: Não aceitam muito bem mudanças de padrões definidos.

 

Proporcionar ambiente o mais previsível possível minimizando o impacto de mudanças repentinas (de professores, metodologia, turma, prazos, etc);

 

Na apresentação, Eliana ressaltou que entender o funcionamento cognitivo das pessoas com autismo facilita nas escolhas de estratégias a serem utilizadas para seu aprendizado, contribuindo para o desenvolvimento e melhora da sua qualidade de vida.
A Caene trabalha prestando assistência e acompanhamento a estudantes com necessidades educacionais especiais, sejam necessidades físicas, de aprendizado ou cognição, bem como a seus familiares, atuando também no aconselhamento de metodologias inclusivas em sala de aula, na adaptação avaliações e na conscientização da comunidade acadêmica e da sociedade como um todo sobre a importância da inclusão educacional para promover uma maior inclusão social e profissional.
O número de estudantes atendidos pela Caene subiu de sete em 2010 para noventa e dois em 2013.
Autismo
Os estudos sobre o transtorno do espectro autista começaram na décade de 40. O autismo Foi descrito pela primeira vez em 1943, pelo médico austríaco Leo Kanner, trabalhando no Johns Hopkins Hospital, em seu artigo Autistic disturbance of affective contact, na revista Nervous Child.  Caracterizado por ele como uma síndrome caracterizada por inabilidade de se relacionar com pessoas e situações, solidão autista extrema, falha em assumir postura antecipatória, dificuldade em adquirir fala comunicativa e excelente memória.
Em 1944, o também austríaco Hans Asperger, descreveu, em sua tese de doutorado, a psicopatia autista da infância. Ele se centrou em outro tipo de autismo, às vezes chamado de autismo inteligente; em sua pesquisa, Asperger descrevia quatro crianças que apresentavam, como questão central, o transtorno no relacionamento com o ambiente a seu redor, por vezes compensado pelo alto nível de originalidade no pensamento e atitudes”.
O autismo é uma condição heterogênea, não há duas pessoas com autismo exatamente com o mesmo perfil, mas as dificuldades caem em domínios de um núcleo comum, que podem ser medidos de forma confiável e geralmente consistente ao longo do tempo, apesar de comportamentos específicos poderem ser alterados com o desenvolvimento.
O transtorno do espectro autista tem prevalência em indivíduos do sexo masculino, ocorrendo na razão de quatro homens para uma mulher.
Entre as prováveis causas, podem estar relacionadas à alteração genética (Mais de 300 genes têm sido reconhecidos) e alguns subgrupos já identificados: Alergias e perímetro encefálico, doenças autoimunes (celíaca, lúpus, etc...), Rubéola na gravidez, Lesões de origem variada não definida, alergias alimentares, etc.
Uma das características mais marcantes das pessoas com autismo é que elas tratam cada parte da informação ou cada impressão separadamente, antes que possam formar uma interpretação do conjunto.  Ao contrário da maioria que começa formando a ideia do todo.
Apesar das limitações os autistas podem ser muito bem sucedidos. O artista Stephen Wiltshire, o jogador de futebol Lionel Messi, o físico Jacob Barnett, a engenheira e bióloga Temple Grandin são exemplos de autistas de sucesso em suas respectivas carreiras.

ComC&T
Assessoria de comunicação e produtora de conteúdo da Escola de Ciências e Tecnologia