Em 2015, o Observatório de Interferometria a Laser de Ondas Gravitacionais (LIGO), nos Estados Unidos, detectou, pela primeira vez, ondas gravitacionais, perturbações no espaço-tempo que se propagam como ondas, que foram previstas por Albert Einstein na Teoria da Relatividade Geral. Diante dessa descoberta, os professores João Vital da Cunha Junior e Francisco Edson da Silva, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); e José Ademir Sales de Lima, da Universidade de São Paulo (USP), publicaram, em 21 de junho deste ano, o artigo Gravitational waves from ultra-short period exoplanets (Ondas Gravitacionais de exoplanetas de períodos ultracurtos, em tradução livre) na revista Monthly Notices of Royal Astronomical Society.

As ondas gravitacionais que foram detectadas pelo LIGO são oriundas de sistemas binários compostos por corpos de massa enorme, como buracos negros ou estrelas de nêutrons, situados a aproximadamente 3 bilhões de anos-luz da Terra. O artigo dos professores propõe que o mesmo tipo de onda podem ser detectadas a partir de sistemas binários bem menos energéticos, mas que estejam mais próximos da Terra. Em conversa com o Prof. Dr. Francisco Edson, ele explica que uma estrela e um planeta orbitando ao seu redor, com uma distância muito pequena entre eles, é um exemplo de sistema binário que produz ondas gravitacionais bem menos intensas, mas que são muito mais comuns e próximos, de modo que as ondas geradas são intensas o suficiente para serem detectadas da Terra.

O LIGO não é capaz de detectar ondas gravitacionais produzidas por sistemas binários pouco energéticos. Porém, o Laser Interferometer Space Antenna (LISA) será capaz de medi-las.”, afirma o Prof. Dr. João Vital. O LISA é um sistema de três satélites da Agencia Espacial Europeia cujo projeto está em desenvolvimento. Será o primeiro observatório espacial dedicado a medir ondas gravitacionais e deve entrar em operação em 2034. O artigo supracitado aponta que as ondas gravitacionais de três sistemas exoplanetários já catalogados deverão ser detectadas pelo LISA e alerta para a existência de outros sistemas similares que podem ser descobertos antes do LISA entrar em operação, bem como para a possibilidade de detecção de sistemas exoplanetários similares a partir de suas ondas gravitacionais. O Prof. Dr. Ademir Sales explicou, por fim, que pretende, na mesma linha do trabalho, investigar as consequências físicas e a importância para astronomia da descoberta dessa classe extraordinária de planetas.

A revista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o site americano Daily Beast e o canal no YouTube Deep Astronomy também publicaram notícias e vídeos sobre o artigo.

Webp.net resizeimage

 

Da esquerda para a direita: Francisco Edson, Ademir Lima (Ademir Sales) e João Vital.