Na sexta feira, 7 de novembro, o professor Aquiles Burlamaqui ministrou uma mesa redonda sobre robótica educacional e TV digital, durante a III Semana de Ciências e Tecnologia da ECT. Durante a apresentação, ele conversou com o público, falou sobre os suas linhas de pesquisa e projetos relacionados e, ainda, houve uma demonstração de robôs projetados por colaboradores do projeto Roboeduc, projeto de robótica educacional do qual faz parte.

Para falar sobre TV digital, Robótica educacional e Olimpíada Brasileira de Robótica, a Assessoria de Comunicação e Produtora de Conteúdo da Escola de Ciências e Tecnologia (ComC&T) conversou com o professor Aquiles. Veja os principais tópicos da conversa.
Sobre como começou seu trabalho com TV digital:

“Durante a graduação, eu tive contato com o professor Guido Lemos que hoje é considerado um dos pais do Ginga, que é o software que trás a interatividade para a TV digital, então ele me orientou no inicio da minha vida acadêmica e eu fiz alguns trabalhos com TV digital interativa. Coordenei projetos já como professor e tenho alunos trabalhando com essa tecnologia. Hoje eu oriento também alunos de doutorado no programa de pós-graduação de engenharia da computação e é uma das minhas linhas de pesquisa”.

Burlamaqui é integrante Laboratório NatalNet-DCA, sob a coordenação do Prof Luiz Marcos atua nas áreas de Realidade Virtual, Robótica, Redes de Computadores, Desenvolvimento de Software para TV Digital e Interativa, Jogos e Multímidia e envolve professores e pesquisadores da universidade federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal de Pernambuco (UFPB) e do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).

Sobre robótica educacional:
“Eu trabalho com robótica educacional, a aplicação da robótica com um viés educativo. A gente ensina robótica para crianças a partir de 4 anos de idade, sempre associando as aulas de robótica, de programação, montagem, com as aulas que eles estão vendo na sala de aula. Isso aqui começou como projeto de extensão e foi evoluindo, a gente é um grupo de pesquisa que continua trabalhando no projeto “Um Robô por aluno “ que a gente vem desenvolvendo, e dessas ideias surgiu, também uma empresa que está incubada no metrópole digital, que é a Roboeduc. Hoje a Roboeduc fornece serviços de robótica educacional para diversas escolas aqui em natal e, também, têm na sua sede no IMD (Instituto Metrópole Digital), então as aulas estão acontecendo aqui na própria UFRN”.
Sobre o Projeto um robô por aluno:

“A gente trabalhou com escolas públicas que era o nosso foco principal e a gente esbarrou num problema que era o preço dos kits. A gente ia levar o kit da UFRN de robótica que é caro, custa cerca de dois mil reais, dava ele para a criança, quando ela terminava de montar o robô, a gente levava o Kit, então a gente começou a fazer pesquisas em estratégias para reduzir o custo do kit de robótica, fazer um kit de baixo custo. Foi aí que surgiu, em uma conversa no laboratório com o hoje professor Rafael Aroca, e eu sugeri pra ele tentar montar um robô de baixo custo utilizando um celular para substituir a parte mais cara. Ele gostou da ideia. Daí em uma semana ele já tinha um protótipo, deu outra semana ele já fez uma patente e na outra, ele publicou o artigo dele e conseguiu defender o doutorado”.
A RoboEduc é uma empresa criada por pesquisadores da UFRN nas áreas de Educação e Computação, com foco na inovação da educação tecnológica, comprometida com o aprendizado de alunos desde o ensino infantil ao ensino superior, criando valor para a sociedade. Apoiada na proposta pedagógica que agrega uma nova solução de software, o sistema RoboEduc, a uma metodologia de ensino com oficinas, material didático, e kits de robótica.
Além de oferecer cursos de capacitação à docentes no ensino de robótica educativa, e cursos isolados de introdução a robótica.

O concurso na África:

“Nesse meio tempo, a gente participou de uma competição que era um desafio, construir um robô de 10 dólares para a África. Conseguimos a segunda colocação num evento internacional que tinha universidades grandes como Berkeley, MIT (Massachusetts Institute of Technology) participando e isso deu uma visibilidade boa para o projeto e a gente continua com esse projeto”.

Sobre a Olimpíada Brasileira de Robótica evento que a ECT sediou em agosto e ele é um dos coordenadores do RN ao lado do prof. Luiz Eduardo Leite:

“Quem criou a Olimpíada foi um grupo de pesquisadores e um deles, que foi responsável pela primeira organização, foi o prof. Luiz Marcos, do Departamento de Engenharia de Computação e Automação (DCA), que inclusive foi o meu orientador. Ele criou a OBR, uma das olimpíadas científicas que o CNPq apoia. Metade das etapas nacionais foi organizada por professores daqui, então hoje eu me afastei da etapa nacional, mas ainda coordeno as etapas regionais”.

“A OBR consiste nas crianças desenvolverem um robô bombeiro que seja autônomo, ou seja, se mover, só, e pensar para encontrar uma vitima dentro de um prédio em destruição, uma maquete de prédio”.

A Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) é uma das olimpíadas científicas brasileiras apoiadas pelo CNPq, que utiliza-se da temática da robótica para estimulá-los às carreiras científico-tecnológicas, identificar jovens talentosos e promover debates e atualizações no processo de ensino-aprendizagem brasileiro. A OBR possui duas modalidades que procuram adequar-se, tanto ao público que nunca viu robótica, quanto ao público de escolas que já têm contato com a robótica educacional. Anualmente a OBR elabora e gere a aplicação de provas teóricas e práticas em todo o Brasil utilizando essa temática. A OBR destina-se a todos os alunos de qualquer escola pública ou privada do ensino fundamental, médio ou técnico em todo o território nacional, e é uma iniciativa pública, gratuita e sem fins lucrativos.
Sobre a importância de desenvolver projetos que deem retorno a sociedade:

“Na universidade a gente tem os três pilares, ensino, pesquisa e extensão, e a extensão, principalmente, nas exatas e engenharias é muito difícil você ver, e quando agente teve essa oportunidade, apresentada pelo professor Luiz Marcos, que trouxe tudo isso pra cá, você vê que realmente é um projeto diferente. Você realmente é um elemento de transformação.
“O que me move mais é poder imaginar que eu estou transformando alguma coisa. Quando você chega no ensino superior, você já tem uma bagagem grande de mundo. A gente consegue direcionar vocês, mas não tanto quanto eu consigo direcionar uma criança. Eu tento passar isso para os meus alunos, que eles tenham esse viés de extensão do mesmo jeito que eu estou ajudando eles, eu não quero nada em troca, só quero que eles ajudem na frente. Eu quero que eles sejam multiplicadores”.

Aquiles Burlamaqui tem Doutorado em Engenharia Elétrica, Mestrado em Sistemas e Computação, Graduação em Ciências da Computação, é professor da Escola de Ciências e Tecnologia da UFRN, e têm pesquisas nas áreas de aplicações multimídias, programação distribuída, robótica, realidade virtual, engenharia de software e TV digital e interativa.

 

ComC&T
Assessoria de comunicação e produtora de conteúdo da Escola de Ciências e Tecnologia