UFRN aprova proposta no Programa Brasil-China de Líderes de Inovação

Escrito por: Vivian Mariano | Publicado em: 16 de junho de 2026

No dia 22 de maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) divulgou o resultado da seleção de instituições para o Programa Brasil-China de Líderes em Inovação Científica e Tecnológica, desenvolvido em parceria com a Universidade de Beihang. A UFRN está entre as 18 instituições selecionadas, com proposta encaminhada à Capes pelo Pró-Reitor de Pós-graduação, Rubens Maribondo, que indicou o professor Orivaldo Vieira de Santana Júnior, da Escola de Ciências e Tecnologia, e os mestrandos e doutorandos que representarão a instituição nas atividades desenvolvidas na China.

Ao todo, oito alunos de pós-graduação foram contemplados. Os mestrandos Ana Gabriela Gurgel Assunção, Gabriela Alves de Sousa Epifânio e Anderson Kley Baumgartner Câmara Pinheiro, da Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Inovação (PPgCTI); os doutorandos Anderson Costa Marques, Pâmala Samara Vieira e Igor Bruno Alves Neves, da Pós-graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PPgCEM); a mestranda Sara de Sousa Silva, da Pós-graduação em Engenharia Mecânica (PPgCEM); e Maria Eduarda Fernandes Lago, Pós-graduação em Tecnologia da Informação (PPgTI).

Os alunos e o professor receberão uma bolsa para cobrir as despesas durante a estadia na China, no período de imersão na Universidade Beihang, que pode durar até quatro semanas. Os participantes deverão atender a cursos acadêmicos, projetos conjuntos de pesquisa, visitas técnicas, atividades práticas e de vivência cultural, voltadas ao conhecimento, cultura e sistema de inovação do país.

O professor Orivaldo Santana, que será responsável pela supervisão dos discentes na China, comenta que é uma grande honra representar a UFRN nesse projeto, e se sente bastante feliz por ver a universidade no meio de tantas outras que possuem bastante prestígio. Além disso, o docente enxerga a aprovação desse projeto como uma excelente oportunidade para ter acesso e conhecimento sobre como funciona a pesquisa, a inovação e a cultura no continente asiático.

Conheça um pouco dos projetos

Uma das propostas intitulada CHAF: Metodologia para lotação, acompanhamento e desempenho das pessoas com deficiência com base em competência, da discente Ana Gabriela Gurgel, resultou na construção de uma fórmula analítica capaz de avaliar a compatibilidade entre o perfil do trabalhador com deficiência e as exigências do cargo, considerando dimensões técnicas, comportamentais e barreiras que limitam o pleno exercício da atividade profissional.

A aluna afirma que a aprovação é um grande reconhecimento para a sua trajetória acadêmica e da relevância da acessibilidade, inclusão e gestão de pessoas com deficiência como pauta de política pública. Além disso, a discente destaca que a experiência em um ambiente de alta maturidade tecnológica, igual à Universidade de Beihang, a permitirá observar, na prática, como a inovação, inteligência artificial e acessibilidade podem contribuir para soluções mais inclusivas, humanas e eficientes.

Já a pesquisa do discente Anderson Kley, também aluno do mestrado, intitulada Predição de Risco Educacional no Rio Grande do Norte: Aplicação de Machine Learning e XAI nos Microdados do SAEB, tem como objetivo desenvolver e validar um modelo preditivo baseado em Inteligência Artificial para antecipar fatores de risco educacional, como defasagem e evasão entre os estudantes do nono ano.

Anderson comenta que a oportunidade de vivenciar essa imersão na China será um grande divisor de águas. “Eu, que sou professor de escola pública, irei buscar e observar a realidade por lá e, além de poder me aprofundar em conhecimentos de ponta, pretendo trocar informações, trazer muitos exemplos, experiências e vivências da cultura deles.”

A terceira aluna do mestrado que foi contemplada no edital, Gabriela Alves, comenta que o seu projeto intitulado Spark Flow: Sistema Operacional Para Centros de Inovação em Saúde, tem como foco o aprofundamento técnico na engenharia médica voltado para a otimização do desenvolvimento dos serviços hospitalares. A discente afirma que enxerga a viagem até a China como uma oportunidade de aprender na prática como o país articula ciência e indústria.

ECT e o PPgCTI consolidam-se no ecossistema de inovação

Além dos mestrandos do PPgCTI, os demais estudantes que fazem parte da proposta da UFRN também tem relação com a ECT. Todos eles são egressos do curso de Ciências e Tecnologia. Para o Pró-Reitor de Pós-Graduação da UFRN, professor Rubens Maribondo, a ECT se destaca pela formação que é ofertada para os seus alunos durante os anos iniciais da graduação, visto que muitos ingressam nos programas de pós-graduação já portando uma boa base de entendimento científico.

Já a diretora da ECT, Kaline Viana, destaca ainda a formação interdisciplinar que a Escola oferece para os alunos. “A presença dos discentes em editais competitivos não é de hoje, o protagonismo dos estudantes vem crescendo e levando o nome da UFRN ao cenário internacional, provando que a ECT forma líderes eficientes em dialogar com o mundo e capazes de criar soluções de mercado através do conhecimento adquirido durante a graduação”, complementa.

Internacionalização dos programas de pós-graduação

O professor Rubens Maribondo ainda ressalta sobre o desempenho que a universidade tem alcançado nos últimos anos com os programas de pós-graduação. “A UFRN tem tido um desempenho excepcional nos quesitos de qualidade da avaliação dos seus programas, com destaque no seu processo de internacionalização em todos os níveis e em todos os programas, sejam eles acadêmicos ou profissionais, todos têm conseguido se destacar e enxergar a internacionalização como fundamental na formação de recursos humanos qualificados.”

Para a coordenadora do PPgCTI, professora Luciana Lucena, a participação de mestrandos do PPgCTI em Beihang será uma experiência pioneira, visto que é a primeira mobilidade internacional discente no sentido estreito da expressão, onde terão a oportunidade de vivenciar a pesquisa em outro país, algo de grande importância para eles e vital para o programa de pós.

Por último, a discente Gabriela Alves, frisa que a experiência na China também traz uma responsabilidade. “Como mestranda do PPgCTI, vejo isso também como uma responsabilidade. Pretendo realizar workshop e apresentações ao retornar, disseminando o que aprendi e contribuindo para a cultura de internacionalização da universidade. É a prova de que a ciência produzida no Nordeste tem espaço no cenário internacional.”