Cartas de alunos de C&T ganham o mundo e promovem aprendizado e debate

Conheça o projeto de extensão que compartilha textos feitos por estudantes em sala de aula com a sociedade.

Escrito por: Camila Pinto | Publicado em: 16 de agosto de 2021

Quando se fala no ensino e aprimoramento da leitura e da escrita, um dos maiores desafios para os estudantes e professores é relacionar esses textos produzidos em sala de aula com a função que eles exercem enquanto gênero discursivo. Foi pensando em solucionar isso que a professora Ada Sousa, da Escola de Ciência e Tecnologia, criou o Cartas de C&T para o mundo, um perfil no instagram, onde os alunos compartilham os textos produzidos em sala de aula.

“Quando há uma identificação com a atividade, quando há a percepção de que há uma função na vida do aluno e quando são estabelecidos laços, eu penso que isso tem um efeito muito positivo no aprendizado”, explica a professora.

Professora Ada Sousa, coordenadora do Cartas de C&T para o mundo. Foto: arquivo pessoal

O projeto surgiu, inicialmente, dentro da sala de aula, no semestre passado, como uma atividade desenvolvida pela professora com a turma cinco de Prática de Leitura e Escrita II (PLE), do curso de Ciência e Tecnologia (C&T). Nela, os alunos produziram cartas abertas sobre temas como “A importância de cuidar da saúde mental em tempos de pandemia” e “A importância de identificar e combater fake news”, que foram adaptadas pelos próprios estudantes e publicadas no perfil do Instagram. “Num tempo em que há tanta desinformação em torno desses temas, difundir informações verídicas, factuais, responsáveis para a população é até uma atuação política dos alunos”, explica Ada ao falar sobre a escolha dos temas.

Essa interação com o público permitiu que os seguidores da página pudessem não apenas ter acesso às ideias e visões de mundo dos alunos sobre os temas, como também compartilhar os textos com outras pessoas. Foi assim que a página chegou a 180 seguidores já na primeira semana. 

O sucesso da página e a dedicação dos alunos foram o gatilho que a professora precisou para que decidisse transformar essa atividade em um projeto de extensão. “Não fosse o empenho, a autonomia dos alunos e a vontade deles se ajudarem, não teria dado tão certo essa, por assim dizer, iniciativa piloto.”

Perfil do Cartas de C&T para o mundo no Instagram. Foto: Instagram @cartascet

Da sala de aula para extensão

Enquanto no semestre anterior, a atividade foi realizada com apenas uma turma de 99 alunos, agora como um projeto de extensão institucionalizado pela PROEX, conta com a participação de 420 alunos, todos eles matriculados em quatro turmas de PLE I e II, ministradas pela professora. São discentes de cursos como Ciência e Tecnologia, Engenharia da Computação e Engenharia Mecatrônica. Esse grande salto para a atividade fez com que a professora precisasse adaptar algumas coisas no projeto.

Ada conta que neste semestre dividiu as turmas em grupos para não lotar a página com excesso de postagens que pudessem prejudicar a sua dinâmica. Os temas também serão ampliados nesse semestre, embora ainda não tenham sido revelados oficialmente para o público, assim como a diversidade de gêneros discursivos que serão trabalhados em sala de aula.

Para auxiliar no atendimento desses alunos, ela conta agora com a colaboração de seis monitores que também cuidam da administração da página, divididos em tarefas específicas. Ewerton Souza e Isabelly Campelo monitoram a interação do público com a página. Ingrid Santos é responsável pelo design das imagens, Dayane Souza e Jeciel Silva ficam com as legendas das publicações. Já Josué Anuar cuida dos stories. Todos eles já atuavam como monitores do Projeto de Ensino de Práticas de Leitura e Escrita, coordenado por Ada e se juntaram ao Cartas de C&T para o Mundo como voluntários. 

“A gente vai ter tanto adaptações feitas por nós a partir de trabalhos deles, com o aval e acompanhamento deles, como também postagens produzidas por eles a partir de alguma outra produção que a gente já venha fazendo de agora”, explicou a professora. “De repente até produzindo séries de vídeos ou algo do tipo.”

Posts de apresentação da equipe feitos pelos bolsistas para a retomada da página. Foto: Instagram @cartascet

Para além da universidade

Boa parte dos seguidores da página é composta por pessoas de fora da universidade, o que a professora vê como um fator importante para divulgação do conhecimento acadêmico. “A produção do saber não deve ser só para gente, a produção do saber não deve ficar encerrada na sala de aula. O saber precisa ser compartilhado com todo o mundo”, comenta. Para ela, esse projeto contribui para mudar essa ideia de que a comunidade acadêmica não se importa com quem está fora dela. “Ela [Extensão] é uma das missões da universidade que vai exatamente existir para que a gente proporcione a toda a sociedade, incluindo aí a comunidade não acadêmica, aquilo que a gente deve a ela”, explica a professora.

Outro ponto que é importante destacar é o debate que essa atividade cria entre os alunos e o público da página. Ada menciona que durante as postagens houve vários momentos em que comentários e até mesmo críticas feitas pelos seguidores nos posts desencadearam discussões importantes, nas quais os estudantes participaram ativamente. É um processo em que não apenas a sociedade ouve a voz e as ideias desses alunos, mas também é ouvida por eles. 

Contribuições do projeto para o ensino de leitura e escrita

Um ponto que a professora fez questão de enfatizar sobre o desenvolvimento da atividade na turma do primeiro semestre, foi o de que eles estiveram envolvidos em todo o processo de criação da página. Foram eles que criaram a conta, o nome e o usuário da página e escreveram a biografia. Para criação da imagem utilizada na foto de perfil, foi feita uma votação entre os alunos com três artes feitas por alguns deles.  “Foi um trabalho colaborativo, de cooperação, de protagonismo dos estudantes”.

Além disso, tem a questão da retextualização, já que as cartas precisaram ser adaptadas para o formato de postagens do instagram. O que foi feito pelos próprios estudantes. “Algo que era uma carta aberta, que era um texto totalmente verbal, se transforma em um outro gênero discursivo, com recursos gráficos, inclusive”, explica a professora. 

Jeciel, que já foi aluno de C&T e hoje cursa Engenharia Biomédica, falou que, como monitor e estudante, leva o aprendizado que ele adquire no projeto para a vida e para outras matérias do curso, que são mais voltadas para a pesquisa e escrita de artigos. “É bastante útil você conseguir expressar a sua opinião de forma mais clara”, explica ao falar da importância de matérias como PLE para o desenvolvimento da capacidade crítica. 

Arte criada por aluna para o projeto. Fonte: Instagram @cartascet

Construção de laços 

Josué Anuar, que participou da atividade como aluno no semestre anterior e hoje atua como monitor no projeto, contou como a experiência na atividade foi importante por possibilitar uma interação maior entre os alunos. “Foi muito legal ver o que os outros estavam fazendo, porque muitas pessoas ali tiveram um pouco de dificuldade. Havia pessoas mais velhas na turma e elas não tinham muito contato com rede social, então foi muito interessante porque alunos mais novos puderam ajudar essas pessoas”, comentou o estudante. Ele destacou ainda a diversidade das produções e a possibilidade que eles tinham de discutirem sobre elas no grupo de WhatsApp criado pela turma para o desenvolvimento da atividade. 

“Algo que me tocou muito foi quando, por exemplo, um estudante resolveu desenhar a capa da própria postagem e uma colega se emocionou muito porque o traço que ele usou era parecido com o de um amigo dela que tinha falecido”, compartilha a professora Ada. “Eu imagino que a construção desses laços só pode ter sido benéfica. Não tem como dissociar aprendizagem e emoção”, completa.


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