ECT debateu bacharelados interdisciplinares

Escrito por: Francisca Pires | publicado em: 20 de dezembro de 2019

Em parceria com a Pró-reitoria de Graduação (Prograd/UFRN), a Escola de Ciências e Tecnologia (ECT) realizou, na manhã do dia 10 de dezembro, no auditório “F”, uma palestra-debate ministrada pela professora Paula Ayako Tiba, atual Pró-Reitora de Graduação da Universidade Federal do ABC (UFABC). Tendo a reformulação do projeto pedagógico da ECT como pilar para […]

Em parceria com a Pró-reitoria de Graduação (Prograd/UFRN), a Escola de Ciências e Tecnologia (ECT) realizou, na manhã do dia 10 de dezembro, no auditório “F”, uma palestra-debate ministrada pela professora Paula Ayako Tiba, atual Pró-Reitora de Graduação da Universidade Federal do ABC (UFABC). Tendo a reformulação do projeto pedagógico da ECT como pilar para discussão, o debate teve como principal objetivo discutir os bacharelados interdisciplinares como uma inovação no ensino superior. 

O Bacharelado Interdisciplinar, BI como é conhecido, consiste em uma formação superior cuja principal característica é a flexibilidade da organização curricular. Tal método começou a ser oferecido em 2005 e a UFABC foi pioneira na categoria. Seguindo essa lógica, a graduação  é baseada em um regime de ciclos, onde os alunos conseguem ter acesso às mais diversas áreas de conhecimento e tem sua formação superior completa dividida em três:o BI, a formação profissional (cursos subsequentes de graduação) e pós-graduação. 

Na UFABC, o ingresso na graduação ocorre pelos bacharelados em Ciências e Tecnologia (BCT) (1.448 vagas), em Ciências e Humanidades (BCH) (350 vagas), Licenciatura em Ciências Naturais e Exatas (LCNE) (160 vagas) e Licenciatura em Ciências Humanas (LCH) (50 vagas). Para obter a formação completa, segundo Paula, a Universidade oferta um tempo hábil de seis anos, divididos em quadrimestres compostos inicialmente por cinco ou seis disciplinas, dependendo do curso. As turmas possuem uma média de 120 a 130 alunos e a finalização do BCT ou BCH ocorrem geralmente em até quatro anos e meio. 

A pró-reitoradefende que em áreas mais dinâmicas (e um bom exemplo são as tecnológicas), aquele profissional que recebe uma formação científica mais sólida e interdisciplinar torna-se mais capaz de se adaptar às exigências do mercado de trabalho. Nesse contexto, com o passar do tempo os avanços na área de ciências e tecnologia passaram a exigir uma reformulação do modo de se adquirir conhecimento e, além disso, as tecnologias passaram a se tornar obsoletas muito rápido. Assim todo conhecimento adquirido por esses profissionais passa a ficar desatualizado cada vez mais rápido. 

No BI, os alunos podem criar uma combinação própria de módulos que contenham disciplinas obrigatórias, de opção limitada e disciplinas livres, de acordo com suas necessidades e interesses acadêmicos, levando em conta as habilidades profissionais que queiram adquirir. Ao contrário do bacharelado tradicional, o aluno do BI não precisa ter certeza sobre a sua escolha profissional ao ingressar no curso, pois permite a experimentação de uma série de áreas sem que a sua formação seja prejudicada. Na opinião de Paula, essa é uma forte estratégia no combate à evasão e além disso posterga o momento da escola profissional, ao mesmo tempo em que aumenta o nível da informação, diminuindo também a competição entre os alunos no ingresso. No sistema quadrimestral, a professora afirma que é possível ensinartuma maior quantidade de conteúdos e o aprofundamento é feito como o aluno preferir. 

Na ocasião da criação dos bacharelados no Brasil, três documentos-base foram apresentados para embasar e justificar a adoção da modalidade como uma iniciativa inovadora nas Universidades: o “Processo de Bolonha”, que foi iniciado a partir da Declaração de Bolonha, acordo que os ministros da Educação de diversos países de Europa assinaram, em 1999, na cidade italiana de Bolonha; o documento de 2004, denominado “Subsídios para reforma no ensino superior” declara que é urgente uma reforma no ensino superior; e, por fim, o documento mais recente, de 2018, denominado “Repensar a educação superior no Brasil”. Dentre as principais conclusões desses documentos  estão a presença de um sistema de créditos equivalentes, mais mobilidade, um melhor aproveitamento de conhecimento,cursos flexíveis com redução da carga horária presencial, diminuição da carga horária presencial e adoção de políticas de ações afirmativas e de fortalecimento da educação básica. 

A pró-reitora Paula explica ainda que na UFABC a infraestrutura é toda compartilhada. As salas de aula e laboratórios são todos didáticos compartilhados e assim há uma melhor ocupação da estrutura física (úmidos, secos, informática e de ensino). Além disso, possui um catálogo único de disciplinas e uma coordenação unificada para as disciplinas que são compartilhadas. Dentre os programas acadêmicos citados, um bastante inovador é o oferecimento de um curso de matemática inicial, ministrado meses antes do real inicio das aulas,que ocorre geralmente em maio, visto que são feitas chamadas consecutivas até o total preenchimento de vagas. O  critério para escolha de alunos desse curso é a nota na prova de matemática do ENEM. Sendo assim, aqueles que possivelmente teriam dificuldade para acompanhar as aulas têm essa assistência inicial. 

Já no quesito da adoção de políticas de ações afirmativas, a UFABC foi pioneira na implementação das cotas raciais e possui ainda aquelas referentes à renda e pessoas transgênero. Para o ano que vem, a novidade é com relação ao ingresso que antes era feito apenas pelo ENEM, agora vai contar com a reserva de vagas para alunos premiados em olimpíadas científicas. 

Quanto aos problemas, a professora Paula aponta o desligamento de alunos como sendo o maior deles, por não conseguir acompanhar as turmas no tempo previsto. Nesse sentido, são desligados os alunos que em três anos não cumprirem metade da carga horária obrigatória ou não finalizarem o curso em no máximo em seis anos. Paula Ayako afirma que esse e outros diversos pontos que precisam melhorar serão discutidos e para solucionar este problema em específico a Pró-Reitoria pensa em montar observatórios que acompanhem de perto os alunos e monitorem os motivos pelos quais esses desligamentos ocorrem.  

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