Empreendedorismo, Ciência e Tecnologia na construção de uma sociedade inovadora

Escrito por: Carllos Daniel | Publicado em: 27 de maio de 2022

A busca de resoluções para problemas da sociedade vem encontrando cada vez mais espaço no empreendedorismo moderno aliado à ciência, tecnologia e inovação. A UFRN possui um ambiente de grande potencial de transformação social em diversas áreas de graduação e pós-graduação, como o Mestrado Profissional em Ciência, Tecnologia e Inovação (MPI), cujo foco é desenvolver, de forma conjunta, ciência e empreendedorismo, contribuindo com a estruturação de startups com papel transformador na sociedade.

A partir disso, foi iniciado em 2021 o projeto de extensão “ProgramAção: ações para o desenvolvimento de sistemas inovadores”, que busca contemplar pesquisas que estejam vinculadas ao Programa de Pós-graduação em Ciência, Tecnologia e Inovação (PPGCTI) da UFRN. Para quem está seguindo o caminho da ciência e tecnologia, o projeto possui grande valor para a formação acadêmica e profissional. Ele é uma forma de aproximar a Universidade do mercado de trabalho, contribuindo ativamente com soluções para a sociedade.

Um dos projetos contemplados pelo ProgramAção é o LEVES – Sistema de Levantamento de Emoções e Sentimentos – proposto pela aluna do PPgCTI Jéssica Martins, que visa desenvolver uma solução para o monitoramento de transtornos mentais comuns  e insatisfação no trabalho. O sistema conta com duas ferramentas integradas: uma plataforma de automonitoramento da saúde mental e promoção do autoconhecimento, e uma plataforma de gestão para visualização dos dados e monitoramento. O objetivo é entregar um MVP (do inglês, Produto Mínimo Viável) a ser implementado na UFRN, para que os gestores de saúde da instituição consigam planejar suas tarefas de acordo com o perfil de adoecimento dos servidores. Dessa forma, o gestor vai saber quando, onde e por que executar determinada ação.

Jéssica, que também é servidora da UFRN na Diretoria de Qualidade de Vida, Saúde e Segurança no Trabalho (DAS), conta que foi a partir de sua atuação na Diretoria que observou a necessidade de criação de um sistema como esse. O projeto LEVES é orientado por Dr. Efrain Pantaleón Matamoros, professor do PPgCTI, e coorientado por Dr. Orivaldo Vieira de Santana Junior, professor do PPgCTI, e pela Dra. Regina Carmen Esposito, médica do trabalho na DAS.

Tela inicial da plataforma LEVES, que busca o monitoramento de transtornos mentais comuns e insatisfação no trabalho

Outro exemplo é a plataforma Dataviewer, projeto vinculado ao mestrado da aluna Luana Fernandes, que faz uso de técnicas de Mineração de Dados Educacionais (MDE) para personalizar o contexto educacional e a oferta de conhecimento, possibilitando a tomada de decisões pedagógicas de forma estratégica, contribuindo com a educação 4.0. Ainda em desenvolvimento, a plataforma não está disponível para o público.

Através do Dataviewer os discentes podem verificar sua assiduidade, notas detalhadas, receber alertas personalizados, constatar a progressão quanto a realização das listas de atividades, além de receber recomendações de estudos, conforme a dificuldade encontrada na disciplina. Já os docentes recebem um feedback automatizado quanto ao desempenho geral da turma e individual dos discentes na disciplina, possibilitando uma otimização do tempo dos professores para identificar um aluno com dificuldade na aprendizagem de um determinado assunto e permitir intervenções pedagógicas de forma eficiente.

A plataforma se baseia em dados armazenados no sistema LOP, nome provindo da disciplina Lógica de Programação, que consiste em um ambiente para a execução de exercícios e provas. O Dataviewer utiliza os dados do LOP visando transformá-los em informações úteis para o contexto educacional. No entanto, o Dataviewer foi projetado para explorar tanto dados do LOP como de qualquer outra plataforma que possua dados educacionais.

Página de acesso à plataforma Dataviewer, que pretende facilitar a vida de alunos e professores

ProgramAção superando desafios

O professor Orivaldo Vieira, responsável pelo ProgramAção, conta que o início do projeto foi bem difícil. Com a pandemia, haviam poucos alunos na equipe, os laboratórios do campus estavam fechados, e a comunicação, feita remotamente, era complicada. Ainda assim, foi recebida uma grande demanda de projetos de mestrado que serviram para a consolidação e organização da pesquisa.

Hoje o programa se firma construindo uma comunidade de contato e apoio em volta do projeto, e espera-se que essa rede cresça cada vez mais para dar suporte a novos projetos e alunos. Jéssica, responsável pela plataforma LEVES, ressalta que o ProgramAção tem contribuído imensamente com o desenvolvimento da solução ao fazer uma ponte entre a graduação e a pós: “Tem sido uma experiência bem interessante onde nós, da pós-graduação, aprendemos a implementar metodologias de inovação e de gestão de projetos, enquanto os alunos da graduação têm a oportunidade de aprender programação e ciência de dados”.

As inscrições para mestrandos que desejam enviar suas propostas estão abertas e devem ser feitas através da plataforma do SIGAA até o dia 30/05. Para os graduandos, a seleção de voluntários acontece de acordo com a demanda necessária, através de seleções específicas de acordo com cada projeto.