Estudo identifica hidroxicloroquina em ambientes aquáticos

Escrito por: Francisca Pires | Publicado em: 18 de novembro de 2021

Professora Elisama Vieira segurando o sensor
 eletroquímico de cortiça bruta-grafite (Acervo Pessoal)

A discussão acerca do uso de medicamentos para tratamento preventivo contra a covid-19 dividiu opiniões durante a pandemia. O incentivo do uso do chamado kit Covid, apesar de não recomendado por especialistas, foi muito indicado por alguns profissionais da saúde no tratamento de pacientes que contraíram a doença ou como forma de prevenção. Um dos medicamentos que compõem o chamado kit é a Hidroxicloroquina (HCQ), fármaco derivado da 4-aminoquinolona, prescrito para prevenção contra a malária e para tratar doenças como artrite reumatóide e lúpus eritematoso sistêmico. Com seu uso em larga escala no Brasil, surgiu o interesse em quantificar a presença do fármaco na natureza, especialmente na água.

Estudo publicado no jornal científico Materials, de autoria de Elisama Vieira, professora da Escola de Ciências e Tecnologia (ECT/UFRN), Danyelle M. de Araújo, Suelya da Silva M. Paiva, João Miller M. Henrique e Carlos A. Martínez-Huitle, todos ligados à UFRN, trata sobre o desenvolvimento de um sensor eletroquímico de cortiça bruta-grafite e um método voltamétrico de pulso diferencial para a determinação quantitativa de HCQ na água. O estudo propõe quantificar a HCQ com o uso de técnicas eletroquímicas para a confecção de sensores de baixo custo. 

As técnicas de voltametria são baseadas na resposta elétrica gerada entre o sensor e a substância a ser estudada, usando instrumentação eletroquímica, o que permite identificar e quantificar diferentes compostos (orgânicos e inorgânicos). Durante os ensaios, o dispositivo eletroquímico exibiu uma resposta clara de corrente, permitindo quantificar o analito. Vale salientar que a eficácia do sensor eletroquímico foi testada em matrizes sintéticas e reais de água, destacando o potencial de utilização deste sensor em diferentes aplicações ambientais.

A matéria prima utilizada é obtida a partir do resíduo da indústria de cortiça, material sustentável muito utilizado nos setores de automobilismo, decoração, construção e de bebidas. Por ano, são geradas toneladas desse resíduo, que vem sendo empregado para diferentes finalidades. 

O trabalho de preparação do sensor teve início em 2018. A aluna Mayra Kerolly Sales Monteiro produziu pela primeira vez o sensor para detecção e quantificação de cafeína e paracetamol. “Nós tivemos a parceria da Universidade do Porto, resultando no registro de patente do desenvolvimento do sensor eletroquímico”, destaca. Posteriormente, o grupo aprimorou a produção do sensor para quantificar metais pesados e fármacos. 

O principal impacto que os resultados obtidos por esta pesquisa refletem na sociedade é a possibilidade de reutilizar resíduos industriais com a finalidade de construir sensores para detectar contaminantes. A abordagem apresentada, em comparação a outros métodos analíticos, se mostrou  reprodutível  e menos dispendiosa, tanto em termos de tempo quanto de materiais. 

Assim como outras substâncias, o composto HCQ pode bioacumular na natureza e ser absorvido por diferentes espécies. Estudos reportados na literatura indicam que a HCQ promove um estresse oxidativo nas células, o que pode prejudicar o bom funcionamento das mesmas. “Fica um alerta sobre a presença deste fármaco (HCQ) em amostras de águas superficiais”, finaliza a professora. 

A execução da pesquisa contou com a participação de alunos e pesquisadores dos programas de Pós-Graduação em Engenharia Química e Instituto de Química, além de professores que são bolsistas de produtividade em pesquisa em nível PQ-2 e PQ-1C. No total, 6 artigos foram publicados em jornais científicos de grande prestígio a nível internacional com o uso do sensor a base de cortiça e grafite para detecção e quantificação de poluentes.


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