Lugar de mulher é fazendo ciência!

Alunas da ECT são aprovadas no edital "Mulheres na Ciência e Inovação" que tem foco em empreendedorismo, inovação, gênero e ciência.

Escrito por: Francisca Pires | Publicado em: 21 de setembro de 2021

Duas discentes da ECT, uma do Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Inovação e outra do curso de Ciências e Tecnologia foram aprovadas no último edital “Mulheres na Ciência e Inovação”. No total foram quase 400 projetos inscritos e apenas 276 aprovados. Cabe destacar que esta edição, por ser online, tornou  possível ampliar as vagas e em vez de ocorrer durante uma semana no Museu do Amanhã a formação está ocorrendo durante 7 semanas.

As alunas são Juliana Belko e Alice Holanda, ambas apaixonadas por ciência e dispostas a ocupar seus lugares na academia, quebrando estereótipos e paradigmas de gênero. Juliana Belko tem 38 anos e é bacharel em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo. Trabalhou no 3° setor e em consultorias com Gestão de Resíduos Sólidos, Gestão de Recursos Hídricos e Políticas Públicas para Educação Ambiental até se mudar para Natal e ingressar no PPgCTI em 2018.  

A escolha do tema de seu projeto de mestrado, contemplado nesta edição do edital, não foi tão fácil. Juliana conta que “pivotou”, ou seja, mudou de projeto, duas vezes até conhecer o Prof. Cristiano Alves, seu co-orientador que trabalha com design e ecoinovações, e sua colega  de mestrado, Márcia Marques, da Agiliza Br,  que tornou-se sua mentora em Agilidade e a incentivou muito na realização do seu projeto, intitulado ” Eco-Ágil: framework para desenvolvimento e aplicação de ecoinovações com práticas ágeis.”

Aumentar a eficiência dos processos de gestão da fábrica, melhorar o ambiente de trabalho para os colaboradores e auxiliar a empresa no desenvolvimento contínuo de soluções ecoinovadoras estão entre os objetivos do projeto. Juliana busca alcançá-los através da aplicação de sua pesquisa atrelada a práticas ágeis, como o framework Scrum e o Método Kanban, adequando seus processos produtivos e adotando práticas socioambientais e de governança corporativa. “Além de atender a legislação ambiental, a adoção de tais práticas é importante para que as empresas tenham acesso a financiamentos públicos e privados.” explica a mestranda.

Como um dos grandes resultados conquistados pela pesquisa está a validação do projeto na empresa BQMIL – Brasil Química e Mineração Industrial Ltda. Fabricante de insumos de construção civil, como argamassas e rejuntes, a empresa é modelo no Rio Grande do Norte por ser aberta a parcerias com Instituições de Ensino e pelo desenvolvimento de inovação e soluções ecoinovadoras na construção civil. Em 2019 a BQMIL alcançou o 3o lugar no Prêmio Nacional de Inovação, como média empresa, na categoria Inovação em Processo. Um detalhe importante é que a BQMIL é uma  uma empresa da construção civil com mulheres em cargos de liderança. “São elas as responsáveis pelo funcionamento da fábrica e há um clima de sororidade.” conta com empolgação. 

Para os próximos passos da pesquisa, Juliana conta que está revisando o texto da sua dissertação e continua com  a validação na BQMIL até o final de outubro. “Quero levar meu projeto para outras empresas potiguares, o consolidando no mercado e também planejo aprofundar seu desenvolvimento em um doutorado.” conta.

“Já me deparei com falta de sororidade, falas e comportamentos machistas vindos de mulheres na UFRN. Já ouvi frases como “aqui não cortamos o cabelo curto assim”. Tento explicar que isso não é bom para elas mesmas. Homens machistas vêm de lares machistas.” relata a pesquisadora

O PPgCTI teve e tem papel fundamental no desenvolvimento do projeto da Juliana. A pesquisadora relata que seu coorientador foi quem abriu seus olhos para a área de ecoinovações. O termo sequer existia em 2009, quando ela se graduou, e mesmo durante sua carreira como Gestora Ambiental também não tinha se deparado com a área. “Depois do início da pandemia eu estava bastante desanimada e pedi ao Prof. Efrain Pantaleon, meu orientador, também professor do PPgCTI, que me cobrasse resultados periódicos. Em vez de me cobrar, ele criou um grupo de estudos com todos os orientandos dele. Passamos a nos reunir quinzenalmente nos apoiando e incentivando, isso fez muita diferença para o resultado do meu trabalho.” relata com gratidão. 

Alice Holanda, de 29 anos, é a segunda aluna da ECT aprovada no edital. Ela era da área da saúde mas hoje cursa o segundo período da graduação em Ciências e Tecnologia e conta que a disciplina de Gestão e Economia da Ciência, Tecnologia e Inovação (GECTI) é a que mais está chamando a sua atenção. “Inclusive me dediquei bastante nos dois artigos científicos que a profª Zulmara Carvalho passou para minha turma, e vou apresentar um deles no 3rb ISTB.” conta orgulhosa. 

Por estar ainda muito no início do curso, Alice ainda não tem muita certeza sobre qual linha de pesquisa pretende seguir em definitivo. Porém, a estudante relata que um dos artigos foi sobre o potencial da Indústria 4.0 frente à Automação Industrial e o outro sobre o Mapeamento da Dinâmica Econômica e das Estratégias de Inovação, também voltado à automação industrial. “Estas foram pesquisas que me fizeram madrugar sem nem perceber.  Gostei bastante!” explica Alice. 

Mulheres na Ciência e Inovação 

Sobre a aprovação no edital “Mulheres na Ciência e Inovação” Juliana destaca seu orgulho em ter sido escolhida. “Essa é  uma excelente oportunidade de me aprofundar nestes temas e trocar experiências e conhecimento com mulheres cientistas de todo o Brasil. Isso me inspira a continuar meu projeto de pesquisa e também a incentivar mais mulheres a acreditarem em seus potenciais”, comemora Juliana. 

Para  ela, mulheres passam por mais funis desde a educação básica à pesquisa acadêmica e mercado de trabalho. São mais cobradas em rendimento e em algumas áreas, consideradas masculinas, têm menos oportunidades, como acontece nas engenharias e construção civil. Sendo assim, é importante ter mais capacitações e oportunidades para as mulheres e ao mesmo tempo mostrar para a sociedade que as mulheres podem ocupar qualquer ambiente profissional. Alice, por sua vez, destaca que ser uma mulher que produz conhecimento científico gera uma representatividade gigantesca para meninas que possam passar a vê-la como um exemplo.

“Me imagino no futuro bem sucedida, casada e tendo mais tempo pra minha filha, pro surf e pra dança de salão. Daqui 5 anos pretendo estar finalmente graduada, no RJ e me dedicando bastante na minha área.” confidencia a pesquisadora, Alice Holanda

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