Propostas da ECT são aprovadas nas fases de seleção do Programa Centelha

Escrito por: Adrielen Vilela | Publicado em: 11 de junho de 2026

No dia 03 de junho, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) divulgou a lista dos projetos aprovados na segunda fase do Programa Centelha que tem  como objetivo oferecer bolsas de fomento às iniciativas do setor tecnológico no Rio Grande do Norte. Dos 60 projetos selecionados, incluindo os suplentes, 5 iniciativas são associadas à Escola de Ciências e Tecnologia (ECT) por meio do Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Inovação (PPgCTI) e alunos egressos da Escola.

O Programa Centelha Rio Grande do Norte tem como objetivo estimular o empreendedorismo inovador por meio de capacitações para o desenvolvimento de produtos, serviços ou de processos inovadores. Dessa forma, o programa apoia por meio da concessão de recursos econômicos e Bolsas de Fomento Tecnológico e Extensão Inovadora, a criação de empresas voltadas para a tecnologia,  transformando ideias inovadoras em negócios que incorporam novas tecnologias aos setores econômicos-estratégicos do estado.

Os recursos disponibilizados devem ser destinados a 30 projetos de inovação. Já os outros 30 projetos selecionados integram, por ora, a lista de suplentes classificados por um ranking. Serão concedidas bolsas de fomento nas modalidades de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial (DTI), de Especialista Visitante (EV) e de Fixação e Capacitação de Recursos Humanos (SET). Com o resultado final da fase 02, a próxima etapa do edital, iniciada em 09 de junho, refere-se ao prazo para constituição da empresa e envio da documentação para a contratação.

Conhecendo as iniciativas

O projeto FAROL:IA, desenvolvido pelo aluno do PPgCTI, Anderson Kley, foi recentemente selecionado para o Programa Brasil-China de Líderes em Inovação Científica e Tecnológica e agora é também um dos 30 contemplados para o Programa Centelha. A iniciativa trata-se de um módulo de preditividade para uma plataforma educacional que pode informar à gestão escolar e professores as principais causas que levam o aluno à reprovação e abandono dos estudos.

“O nosso motor já está acertando 78%. Ou seja, a cada 10 crianças, ele já identifica que 8 realmente iriam reprovar. E conseguimos prever isso. A gente fez um teste com os dados do SAEB —  Sistema de Avaliação da Educação Básica —, do RN, dos 9º anos. O teste utilizou 29 mil alunos matriculados, dos quais 20 mil foram para treinamento e, depois, com aqueles 8, 9 mil alunos que sobraram, a gente fez o teste. Rodamos a máquina para ver se ela acertava e ele acertou em 78% dos casos, se o aluno reprovaria ou abandonaria o ensino”, explica Anderson.

Segundo ele, o resultado solicitado é baseado em quatro campos: social, socioeconômico, motivacional, acadêmico e análise do professor. Os campos de análise são necessários para que a IA consiga traçar um caminho que leve ao gestor e o professor as motivações que induzem o abandono escolar e pontos críticos que desencadeiam a reprovação do aluno, por exemplo. Em um estudo atual feito por Anderson, dos 15 principais motivos, a falta de eletrodomésticos em casa é uma das principais causas para as ocorrências.

Já a iniciativa chamada “BeCarbon”, de Davidson Oliveira, também aluno do PPgCTI, está entre os 30 suplentes selecionados para o recebimento do de recursos e fomento do programa. O projeto é uma plataforma SaaS B2B (Software as a Service voltado para Business to Business) para gestão de emissões e governança ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança) para empresas brasileiras. O modelo da plataforma é um sistema ou software corporativo na nuvem, acessível por assinatura fornecido por uma empresa

A plataforma vem como uma solução para medir emissões de carbono, atividade que chega a custar R$80 mil por ano via consultoria. A gestão passa a ser uma obrigatoriedade com o surgimento do mercado regulado de carbono no Brasil, criado pela Lei 15.042/2024, que assegura conformidade sustentável a todas as empresas, incluindo grandes corporações que já precisavam estar com o inventário de emissões em dia.

“O BeCarbon ataca a ferida do mercado atual, onde empresas manipulam seu inventário para fazer o famoso “greenwashing” e se dizer verde, o que complica a vida de quem realmente luta por um desenvolvimento sustentável e acaba perdendo contratos ou licitações porque não consegue comprovar que sua empresa de fato reduziu ou compensou suas emissões”, afirma Davidson.

Davidson também explica que a plataforma aplica criptografia e ancoragem em blockchain para garantir a integridade de cada dado do inventário, tornando qualquer tentativa de manipulação detectável e rastreável. As funções são automatizadas, conectadas aos sistemas SEFAZ, ERPs e outras fontes para garantir a qualidade de um inventário que pode ser enorme e o controle absoluto de onde os dados vêm.

Segundo ele, o projeto está em desenvolvimento ativo, com a versão beta prevista para o final de 2026. “A aprovação no Centelha representa um reconhecimento importante da viabilidade da iniciativa e vai contribuir para acelerar o desenvolvimento”, finaliza.

O resultado completo está disponível no site do Centelha. Confira abaixo os projetos vinculados à ECT aprovados na fase 02 do programa: 

– Arretada Potiguar – Potência e Sabor da Nossa Tradição, de Danilo Basilio da Silveira (Egresso PPgCTI)

– FAROL: IA contra evasão escolar: alerta e intervenção, de Anderson Kley (PPgCTI)

–  OwlLife – Software de Inteligência de Dados para saúde, de Luiz Felipe Santana de Araujo Souza (Egresso de Ciências e Tecnologia)

Suplentes:

–  BeCarbon – Gestão de Carbono Acessível para PMEs Brasileiras, de Davidson Nunes de Oliveira (PPgCTI)

– IndiqAI – Fidelização inteligente e Marketing de Indicação, de Lucas Eduardo Lima Buarque de Souza (Egresso PPgCTI)